A cadeia produtiva da música brasileira

A cadeia produtiva da música brasileira abrange todos os estágios percorridos pela obra musical, desde a concepção do produto até a entrega ao público final.

A primeira consideração a fazer é sobre o alto grau de informalidade de toda a cadeia produtiva da música brasileira. Estudos da Fundação Getúlio Vargas sobre a Economia Subterrânea, a economia informal, revelam que 50% das empresas no Brasil, de qualquer atividade econômica ou setor produtivo, sejam informais, ou seja, não estão registradas nas Juntas Comerciais, tampouco possuem CNPJ.

O autor acredita que, no caso específico do setor musical, esse grau de informalidade é bem mais alto, podendo chegar a 80% nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Portanto, os números apresentados a seguir refletem apenas a realidade da economia formal (com CNPJ ativo).

Foram identificadas dez atividades econômicas, segundo a Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, que compõem a cadeia produtiva da indústria da música, abrangendo as atividades fonográficas, de direitos autorais e do show business, contemplando todas as etapas: formação, produção, distribuição, comercialização e exibição de bens ou de serviços musicais:

a) reprodução de som em qualquer suporte;

b) fabricação de instrumentos musicais, peças e acessórios;

c) comércio varejista especializado em instrumentos musicais e acessórios;

d) comércio varejista de discos, cds, dvds e fitas;

e) gravação de som e edição de música;

f) ensino de música;

g) produção musical;

h) atividades de sonorização e de iluminação;

i) gestão de espaços para artes cênicas, espetáculos e outras atividades artísticas;

j) discotecas, danceterias, salões de dança e similares.

Baseado em sua experiência profissional e nos estudos realizados, o autor estima que 75% do mercado brasileiro de música seja formado por empresas com receita bruta anual inferior a R$ 3,6 milhões, o que caracteriza o universo de empresas de pequeno porte, de microempresas e de microempreendedores individuais optantes pelo Simples Nacional.

São quase 52 mil empresas ativas, com CNPJ, em todo o Brasil, e, dessas, aproximadamente 28 mil são microempreendedores individuais.

Tabela – Número de empresas ativas na indústria da música do Brasil, optantes pelo Simples Nacional, em 01/07/2013

CNAE

DENOMINAÇÃO

TOTAL

MEI

1830-0/01

Reprodução de som em qualquer suporte

153

11

3220-5/00

Fabricação de instrumentos musicais, peças e acessórios

618

438

4756-3/00

Comércio varejista especializado em instrumentos musicais e acessórios

5.009

1.466

4762-8/00

Comércio varejista de discos, cds, dvds e fitas

8.235

3.340

5920-1/00

Gravação de som e edição de música

2.768

15

8592-9/03

Ensino de música

6.520

5.606

9001-9/02

Produção musical

16.460

12.041

9001-9/06

Atividades de sonorização e de iluminação

9.075

5.672

9003-5/00

Gestão de espaços para artes cênicas, espetáculos e outras atividades artísticas

233

9329-8/01

Discotecas, danceterias, salões de dança e similares

2.766

16

TOTAL

51.837

28.605

Fonte: o autor

A região Sudeste concentra metade dos agentes econômicos da indústria da música brasileira, com destaque para o estado de São Paulo que, sozinho, concentra 30% da cadeia produtiva musical nacional.

Tabela – Ranking das unidades federativas com maior concentração de MPEs ativas na cadeia produtiva da música em 01/07/20132

UNIDADE FEDERATIVA

QTD.

PROPORÇÃO

1o

São Paulo

15.668

30,22%

2o

Rio de Janeiro

5.839

11,26%

3o

Minas Gerais

5.112

9,86%

4o

Rio Grande do Sul

4.487

8,65%

5o

Bahia

3.391

6,54%

6o

Paraná

3.057

5,89%

7o

Santa Catarina

2.191

4,22%

8o

Pernambuco

1.578

3,04%

9o

Goiás

1.256

2,42%

10o

Espírito Santo

1.173

2,26%

11o

Ceará

1.129

2,17%

12o

Distrito Federal

1.112

2,14%

13o

Pará

684

1,13%

14o

Mato Grosso

676

1,30%

15o

Maranhão

592

1,14%

16o

Rio Grande do Norte

586

1,13%

17o

Mato Grosso do Sul

584

1,12%

18o

Paraíba

528

1,01%

19o

Alagoas

418

0,80%

20o

Piauí

343

0,66%

21o

Amazonas

323

0,62%

22o

Sergipe

292

0,56%

23o

Tocantins

285

0,54%

24o

Rondônia

256

0,49%

25o

Amapá

133

0,25%

26o

Acre

73

0,14%

27o

Roraima

71

0,13%

TOTAL

51.837

100,00%

Fonte: o autor

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