O mercado fonográfico brasileiro em 2012

Fonte: Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD)

Segundo reportaram as maiores companhias fonográficas em operação no país à ABPD – Associação Brasileira dos Produtores de Discos, o faturamento decorrente das receitas digitais (internet e telefonia móvel), somado às vendas de CDs e DVDs com conteúdo musical, apresentou em 2012 crescimento de 5,13%, em comparação a 2011, atingindo R$ 392,8 milhões. Dos 20 maiores mercados do mundo, o Brasil figura entre os nove países que tiveram crescimento em seus mercados de música gravada. Os demais são Austrália, Canadá, Índia, Japão, México, Noruega e Estados Unidos.

Apesar da redução de 10,04% nas vendas de CDs, DVDs e Blu-Rays do atacado ao varejo musical em relação ao ano anterior, o aumento de 83,12% nas receitas da área digital em 2012 foi mais do que suficiente para compensar e, de fato, ultrapassar esta oscilação do mercado físico, pela primeira vez no Brasil, o que foi determinante para o mercado de música gravada no Brasil apresentar crescimento pelo segundo ano consecutivo (em 2011 o setor já havia crescido em torno de 8%). O faturamento decorrente das diversas modalidades de negócios digitais atingiu a marca de R$ 111,4 milhões, e ultrapassou as receitas com as vendas físicas de vídeos musicais em DVD e Blu Ray. O mercado de música digital em 2012 chegou a 28,37% do mercado total de música no Brasil (em 2011 esse percentual era de 16%). As vendas de CDs tiveram 43,88% do mercado total, deixando pela primeira vez de representar mais da metade das receitas (no ano de 2011 esse percentual foi 53%). Já os formatos físicos de vídeos musicais, que incluem DVDs e Blu-Rays, representaram 27,75% das receitas das companhias que reportaram estatísticas à ABPD (em 2011 esse valor era de 31%).

MERCADO DIGITAL

As receitas dos diversos formatos da área digital, auferidas pelas companhias que reportaram estatísticas à ABPD em 2012, tiveram um crescimento de 83,1% no ano passado, totalizando a movimentação de R$ 111.435.842. Este total se refere a receitas advindas de downloads de músicas avulsas, álbuns completos, toques de celular, subscrição de serviços de streaming e das modalidades digitais remuneradas por publicidade, tanto na internet como na telefonia móvel.

TABELA – Evolução do faturamento da música digital no Brasil

2007

2008

2009

2010

2011

2012

Faturamento (R$) Receitas Digitais

24.287.188

43.503.539

42.778.577

53.964.412

60.852.970

111.435.842

Crescimento

185%

79,1%

11,7%

26,2%

12,8%

83,1%

Participação dentro do mercado total

8%

12%

11,9%

15%

16%

28,37%

Houve crescimento significativo em quase todos os tipos de negócios digitais, com mudança no portfólio de receitas do mercado de música digital no Brasil, cujas diferentes modalidades, quando comparadas em termos financeiros, passaram em 2012 a apresentar um quadro mais equilibrado, sem hegemonia de nenhuma delas isoladamente, conforme demonstra o quadro abaixo.

TABELA – Evolução das receitas do mercado de música digital por tipo de negócio

2012

(R$)

Participação Mercado Digital

2011

(R$)

Participação Mercado Digital

Variação 2011/2012

Downloads Internet

23.747.219,68

21,3%

2.353.255,28

3,9%

+909%

Telefonia Móvel

28.952.106,81

26%

15.092.750,45

24,8%

+91,8%

Subscrição para Streaming

28.199.247,92

25,3%

34.640.325,06

56,9%

-18,6%

Streaming de Vídeos musicais remunerado por publicidade (Ex: Youtube)

30.537.267,26

27,4%

8.766.638,76

14,4%

+248,3%

TOTAL

111.435.841,67

Mercado Total 28,37%

60.852.969,55

Mercado Total 16%

+83,1%

Na internet, destaque para o crescimento dos downloads de faixas avulsas (+691%), de álbuns completos (+3.525%), de vídeos musicais (+3.370%), impulsionados quase que na sua totalidade pelo iTunes, que abriu sua loja para usuários brasileiros em dezembro de 2011. Na área de telefonia móvel, o crescimento continuou sendo impulsionado principalmente pelos “Ringback Tones” (+307%). O mercado de subscrição de serviços de streaming apresentou pequena redução de 18,6%, o que deve ser recuperado com facilidade em 2013, em virtude do início das operações de diversos serviços de renome internacional, baixo custo mensal e acesso a acervos musicais ilimitados. Houve ainda crescimento de 248,3% nas receitas de publicidade que remuneram streaming de vídeo, como o Youtube e o Vevo.

MERCADO FÍSICO

Em 2012, as vendas de CDs, DVDs e Blu-Rays registraram pequena queda de 10,04% no Brasil, voltando praticamente aos mesmos níveis de 2010, tendo as companhias que reportam estatísticas para a ABPD faturado R$ 281.420.318,00 em vendas físicas de suportes com conteúdo musical. Este faturamento correspondeu a 25.306.809 unidades vendidas, 67,28% delas correspondendo a repertório brasileiro, 29,73% a conteúdo musical internacional e 2,99% a música clássica. Quando avaliamos somente as vendas em formatos físicos observamos que 61% do mercado correspondeu à vendas de áudio e 39% à venda de vídeos no ano passado.

TABELA – Vendas totais de CDs, DVDs e Blu-Rays

ANO

VENDAS TOTAIS (R$)

2011

312.837.110,00

2012

281.420.318,00

Variação 2011/2012

-10,04%

O total do faturamento das vendas de CDs em 2012 atingiu R$ 172.383.072,00 (valores do atacado ao varejo). Esses números, quando comparados aos de 2011, representam uma queda de 12,45% em faturamento.

TABELA – Vendas totais de CDs

ANO

VENDAS TOTAIS DE CDS (R$)

2011

196.896.867,00

2012

172.383.072,00

Variação 2011/2012

-12,45%

As vendas de DVDs e Blu-Rays tiveram uma queda de 5,95% em 2012, se comparadas a 2011. O total do faturamento com DVDs e Blu-Rays atingiu R$ 109.037.245,00 (valores do atacado ao varejo).

TABELA – Vendas totais de vídeos musicais (DVDs + Blu-Ray)

ANO

VENDAS TOTAIS DE VIDEOS MUSICAIS (R$)

2011

115.940.243,00

2012

109.037.245,00

Variação 2011/2012

-5,95%

Segundo o Presidente da ABPD, Paulo Rosa, “2012 foi bastante positivo para o mercado de música gravada no Brasil. Já era esperada uma queda nas vendas de CDs e DVDs após um 2011 com crescimento, devido à performance muito acima do normal de alguns títulos nacionais, o que não se repetiu na mesma escala no ano passado. Se observarmos friamente os números a partir de 2008, vemos que o mercado físico está de fato estável, com pequenas oscilações para mais ou para menos. Esta redução nas vendas físicas em 2012, entretanto, e pela primeira vez no Brasil, foi amplamente compensada pelo aumento de 83,1% nas receitas da área digital, o que resultou em um crescimento do total combinado “físico + digital” de 5,13% em 2012, comparado a 2011.

O mercado de música digital brasileiro começa a demonstrar sinais claros de evolução e consistência. Os downloads pela internet cresceram exponencialmente, com um detalhe importante: a receita gerada por vendas de faixas avulsas é praticamente igual àquela produzida pelos downloads de álbuns completos. O setor de telefonia móvel na música praticamente dobrou de tamanho em 2012, puxado principalmente pelos “ringback tones”. O faturamento das companhias da ABPD com streaming de vídeos musicais remunerados por publicidade, como o Youtube e o Vevo, subiu quase 250%. A redução de 18,6% nas receitas de subscrição mensal para serviços de streaming deverá ser recuperada com a entrada de grandes operadores como a “Deezer” (operação já iniciada) e o “Spotify (ainda por iniciar), apenas para citar dois exemplos. Já é de 28% a participação do digital no total das receitas, é um resultado fantástico se considerarmos que em 2011 este percentual estava na casa dos 16%. Em 2013, esperamos que o mercado físico deva seguir estável, e a expectativa geral é de continuidade de crescimento do digital, em seus variados modelos de negócio.”

4 comments

  1. Marcos Carvalho says:

    Parabéns pela matéria Leo,

    uma dúvida, estou procurando a pesquisa de 2012 no site da ABCP e no entanto lá eles só divulgam até a de 2011.
    Onde eu poderia conseguir os dados mais atualizados?

    Muito obrigado,
    Marcos

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