Altovolts: trio de músicos pernambucanos inova com amplificador valvulado e conquista mercado após a formalização

Agência Sebrae de Notícias | Anderson Lima

Morador de um importante polo cultural da capital pernambucana, Neilton Carvalho precisou lidar com equipamentos musicais desde cedo, motivado pela necessidade. “A gente não tinha dinheiro para comprar os equipamentos e tivemos que aprender a construí-los”, recorda o guitarrista da banda de punk rock Devotos. Hoje, ao lado dos também músicos Adriano Leão (do grupo The Trumps) e Gilson Gerrard (do Moribundos), Neilton vê os amplificadores valvulados que constrói em sua casa ganharem o Brasil junto a importantes nomes da música brasileira, como Dado Villa-Lobos e Robertinho do Recife, considerado um dos maiores guitarristas do Brasil.

“A válvula é um equipamento obsoleto, mas em áudio ela nunca parou de ser utilizada por conta do espectro sonoro que consegue reproduzir”, explica Neilton sobre o principal componente utilizado naquele que é o carro-chefe da Altovolts e que justifica o fato de os rapazes se autointitularem Grupo de Pesquisa em Tecnologias Mortas.

A empresa, que surgiu de forma embrionária entre 2005 e 2006, entrou no caminho da formalização, e também do sucesso, a partir da intervenção do analista do Sebrae em Pernambuco Leo Salazar, jornalista e autor do livro Música Ltda: o negócio da música para empreendedores. Antes disso, o trabalho dos rapazes seguia uma linha quase amadora. “As pessoas começaram a perguntar que marca era aquela, mas a gente não tinha uma marca. O equipamento era adaptado de sucata ou de algo que já existia”, relembra o músico.

Com o apoio do Sebrae em Pernambuco, os rapazes se formalizaram como Microempreendedores Individuais – Neilton e Gilson em 2009 e Adriano, no ano seguinte. “Leo nos mostrou as diversas vantagens que poderíamos ter com um CNPJ. Fora que isso também ajuda a pensar melhor o trabalho como empresa”, avalia Neilton, ressaltando a participação dos sócios nas capacitações e eventos promovidos pela entidade. “Todo empresário tinha que aproveitar as oportunidades que o Sebrae oferece. Ter um órgão como esse dando suporte é muito importante para qualquer empreendedor ficar ligado”, reconhece.

Para manter a qualidade dos amplificadores, são produzidas até duas peças por mês – o que faz com que o interessado tenha que esperar entre dois e três meses para colocar as mãos em um dos equipamentos da marca. A fila de espera tem justificativa.

Algumas peças são compradas no exterior e cada amplificador é produzido sob medida. “A gente não faz cópia nem clone. Cada peça é otimizada para o músico que está encomendando. É uma coisa feita à mão, cada amplificador é único e nenhum soa como o outro. Costumamos dizer que fazemos artesanato sonoro”, conclui Neilton Carvalho.

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