Luciana Simões fala sobre o projeto BR 135, um caso de sucesso no desenvolvimento de relações comerciais no mercado musical

1) Como surgiu o projeto BR 135? De quem foi a iniciativa?

A iniciativa partiu do Criolina. Somos uma dupla maranhense que circula por aí, fazemos música usando referências da nossa terra, temos orgulho de ser daqui. Apesar de termos a oportunidade de participar de várias mostras pelo Brasil afora, a necessidade de palco que sentimos em nosso Estado continua. Não aceitamos ideia de precisar sair daqui para ser ouvido. Queremos contribuir na transformação da nossa realidade. O que vemos aqui é um Estado muito rico culturalmente, produtor de mais de 300 ritmos únicos, sem política cultural abrangente, ausente das conversas sobre políticas culturais no Brasil, distante das trocas com outros estados Brasileiros e outras culturas, etc. São artistas com trabalhos relevantes, que precisam de espaço, condições, conhecimento, saídas.

2) O que é o projeto BR 135 e como funciona na prática?

Projeto BR135 tem como objetivo fomentar a cultura e formar platéia para a música atual produzida no Maranhão. O projeto vem acontecendo desde janeiro e por suas sete edições já passaram 78 artistas e bandas que tiveram a oportunidade de mostrar seu trabalho para um novo público e ter seu trabalho registrado em áudio e vídeo, material este que resultará em um DVD e um CD no final do ano.

Além dessas bandas passaram também pelo BR 135 artistas circenses, poetas, fotógrafos, DJs, grupos folclóricos e artistas de outras gerações, que inspiram essa nova geração. Fomentando o encontro entre os mestres da cultura popular e os artistas da nova cena, valorizamos e preservamos as produções regionais, estimulando a continuidade da tradição de nossas referências culturais, promovendo assim um intercâmbio cultural entre a tradição e o contemporâneo.

O BR 135 também tem como objetivo capacitar o músico/artista em todas as etapas de produção que envolvem o negócio da música. Para isso busca parcerias para oferecer oficinas sobre vários assuntos de interesse do segmento como o novo mercado da música, direitos autorais, novas formas de divulgação e comercialização, entre outras.

Além disso, apostamos nos projetos de identidade visual criados por nossa equipe de design gráfico, que tem como forte de referência a nossa iconografia. Queremos estimular o orgulho de nossas raízes, a começar pela música produzida aqui. Acreditamos que com essas ações de integração entre as artes ganha-se mais força e expressão, facilitando a comunicação e fortalecendo a mensagem. Ou seja, além do que se ouve, o que se vê tem um papel muito importante. Produzimos camisetas e peças de divulgação dos eventos, explorando a criatividade, a divulgação nas mídias não convencionais, despertando a curiosidade e envolvendo o público.

3) Qual a importância do projeto para a cidade e para vocês?

Acreditamos que dessa forma movimentamos a cena local e estimulamos a produção. Estamos certos de que a cena local precise de incentivo e mereça mais atenção. Dadas as circunstâncias, acreditamos que é necessário surgir por parte dos artistas iniciativas propositivas para desenvolver o segmento. É o que estamos fazendo.

Entendendo um novo modelo de artista que conhece as etapas de produção do seu trabalho, buscando a profissionalização, instrução a respeito do negócio da música, assim veremos o crescimento do movimento musical.

4) Quais os principais desafios, hoje e no futuro?

Manter o projeto é um grande desafio, buscar parcerias, produzir e cuidar da própria carreira como artista não é nada fácil. Manter-se na música é também um desafio que encaramos a cada dia, conhecer o mercado e buscar as melhores alternativas, manter o foco e não perder a criatividade.

A profissão música impõe muitos sacrifícios e desafios. Quem vive de música não empreende, desbrava!

Alguns proximos passos:

  • Promover um intercâmbio entre artistas/festivais de outros Estados para quebrar o isolamento cultural;
  • Transformar o site numa plataforma onde as bandas e ou artistas possam adicionar seus perfis, músicas, release, fotos;
  • Produzir uma Feira da Música anual;

5) Espaço para vocês falarem o que quiserem.

Para trabalhar com esse projeto observamos que além da vontade, temos que ter muita organização, pés no chão, trabalhar diariamente, buscar e promover a profissionalização sempre e ter muito bom humor!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *