Uma ideia na cabeça e um CNPJ nas mãos

Atuo há 10 anos no ramo da música. Já me envolvi em muitos empreendimentos. Tive uma gravadora, uma editora, promovi shows, produzi bandas e realizei turnês.

O músico inglês Martin Atkins, autor do livro Welcome to music business: you’re fucked, afirma que ser músico é a maneira mais difícil de ter uma vida boa. Mas o que faz uma pessoa racional optar pela atividade musical se ela se reveste de tão poucas vantagens? A economista francesa Françoise Benhamou se encarregou de desvendar este mistério. Para ela, assim como na loteria, a expectativa de ganho em caso de sucesso é tão grande que compensa correr os riscos.

Sim, viver de música é difícil, mas não é impossível. A solução é encarar a atividade de forma profissional e organizada. Uma carreira musical se constrói com talento e gestão. O talento é necessário, mas não é suficiente. O talento sem a gestão é apenas uma diversão.

Ser informal é como viver na cladestinidade: sem documentos e sem direitos. Então o primeiro passo para profissionalizar a carreira é formalizar a atividade musical, isto é, obter o CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica.

Acredite, um CNPJ ativo e regular pode aumentar as chances de sucesso na carreira musical. É ele que vai viabilizar a emissão de notas fiscais para a venda de bens ou de serviços. É ele que vai viabilizar a contratação direta com o órgão público ou com a empresa patrocinadora. É ele que vai viabilizar o acesso aos recursos financeiros bancários, seja para capital de giro, investimento ou exportação.

Gosto de citar o caso de sucesso do grupo musical Quinteto Violado, que possui CNPJ desde 1981. Hoje a banda está enquadrada no Simples Nacional, regime tributário simplificado para microempresas e empresas de pequeno porte. Todos os músicos tem carteira assinada, FGTS, férias, décimo terceiro salário e plano de saúde. A gestão fica a cargo do músico Dudu Alves, filho do fundador Toinho Alves (falecido em 2008).

Entretanto, muitos músicos e bandas ainda permanecem na informalidade. Acredito que os principais motivos são o desconhecimento da legislação e o preconceito em relação à atividade empresarial.

Mas, se quiser ter uma carreira, o músico precisará aprender a tocar o negócio.

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *