Economia criativa ganha arma para crescer

Agência Sebrae de Notícias

Encontro em Recife (PE) difunde metodologia criada pelo Sebrae em Pernambuco especialmente para desenvolver a gestão da produção cultural no país.

Moda, design, artesanato, games, música, vídeo. O que não falta são brasileiros talentosos em cada um desses ramos de atividade. Gente que usa a criatividade, a imaginação e a inovação para ganhar a vida e, mesmo sem saber, integra um segmento chamado economia criativa. O setor apresentou índice de crescimento de 6% em 2011, o dobro da média nacional no período.

Mesmo com todo esse potencial, a produção cultural no Brasil ainda necessita de maior organização. Na maioria das vezes, os agentes produtivos carecem de capacidade de gestão para tocar seus negócios com olhar empresarial. Segundo a coordenadora nacional da carteira de Economia Criativa do Sebrae, Débora Mazzei, “a falta de organização impede que o profissional se veja como empreendedor”.

O resultado é que, em grande parte do país, o ambiente de negócios desse segmento ainda é tímido. Isso é confirmado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Uctad, na sigla em inglês), que identifica as 20 nações com melhor desempenho no setor. O Brasil sequer aparece na relação.

De olho nessa realidade, o Sebrae prepara uma metodologia de gestão voltada para os agentes que atuam na economia criativa, com o uso de linguagem apropriada e direcionada ao setor. A engenharia da ferramenta foi desenvolvida pelo Sebrae em Pernambuco e a ideia é difundí-la por todo território nacional. “Mostramos que o imaginário pode se transformar em um produto cultural”, explica Alexandre Ferreira, gerente da área de Turismo, Cultura e Gastronomia do Sebrae no estado.

O primeiro esforço de difusão da ferramenta ocorre em Recife (PE), desta segunda até a próxima quarta-feira (27), quando cerca de 30 consultores do Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão, Espírito Santo, Sergipe e Amazonas estão sendo capacitados para propagar o modelo. “Não temos uma metodologia nacionalizada para o público de Economia Criativa, portanto o repasse desse modelo aos consultores é fundamental”, explica Débora Mazzei.

As ferramentas de gestão voltadas aos empreendedores da economia criativa preveem, entre outras coisas, identificação do modelo de negócios, plano de desenvolvimento empresarial, exercícios de motivação, característica empreendedora e troca de informações com apresentação de casos que deram certo. Segundo Alexandre Ferreira, “as ferramentas foram adaptadas ao meio em que são aplicadas”.

Cooperação

A ação do Sebrae contempla o acordo de cooperação firmado com o Ministério da Cultura para o desenvolvimento dos negócios da economia criativa, que prevê investimento conjunto de R$ 3,1 milhões até 2015 no mapeamento do setor, geração de negócios e capacitação do empresariado.

O esforço é para promover a chamada economia do século 21. Os números comprovam que existe espaço para o crescimento da atividade no país. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) elaborou estudo, em 2011, sobre a Cadeia Produtiva da Indústria Criativa no Brasil. O levantamento revelou que os núcleos criativos absorveram 1,82% dos postos de trabalho formal. O levantamento identificou que 92% das empresas do setor são microempreendimentos e 6,9% são de pequeno porte.

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