Novos modelos de negócios musicais da China

Do livro “Free: grátis – o futuro dos preços”, de Chris Anderson (Ed. Elsevier)

Estima-se que a pirataria responda por 95% do consumo de música na China, o que forçou as gravadoras a repensarem totalmente o negócio. Como elas não podem ganhar dinheiro vendendo música em discos de plástico, elas a estão vendendo de outras formas. Elas pedem aos artistas que gravem singles para tocar no rádio, em vez de álbuns para os consumidores. Elas atuam agenciando os artistas por uma parcela dos honorários para fazer comerciais e apresentações no rádio. E até os shows são pagos por anunciantes intermediados pelas gravadoras, que colocam o maior número de seus artistas no palco para maximizar o faturamento obtido dos patrocinadores. O maior problema é que os cantores reclamam que os intermináveis tours, que lhe proporcionam a única renda, sobrecarregam suas cordas vocais.

“A China se tornará um modelo para a indústria musical mundial”, prevê Shen Lihui, da Modern Sky, uma das mais inovadoras gravadoras da China (clique aqui). Os CDs da empresa raramente ganham dinheiro porque os populares são logo pirateados. Mas a gravadora tem outras formas de ganhar dinheiro: produzindo vídeo e, agora, cada vez mais, sites. Ela também tem um festival de música de três dias que atrai fãs do país inteiro. As vendas de ingressos fazem parte do faturamento, mas são os patrocinadores corporativos que trazem grande parte do dinheiro: Motorola, Levis’s, Diesel, entre outras.

Ed Peto, bretão que mora em Pequim, está tentando encontrar outra forma de transformar música em negócio. Sua empresa, a MicroMu (clique aqui), contrata artistas independentes emergentes e convence as marcas a patrocinar toda a operação com uma taxa mensal. Esse modus operandi pode soar estranho a uma gravadora ocidental, mas faz muito sentido para uma empresa que queira divulgar um produto na China e que, na verdade, é o consumidor pagante nessa equação.

A MicroMu grava os artistas da forma mais barata possível, em uma gravação ao vivo em um show patrocinado, ou em um estúdio barato, ou em uma sala de ensaio. Eles filmam todas essas seções e produzem vários vídeos. Cada gravação é lançada em um blog no site da MicroMu, que inclui links para downloads grátis de MP3 individuais, download do disco todo, créditos, ilustrações etc. Depois, a empresa promove eventos ao vivo, incluindo tours em universidades.

Marcas como empresas de jeans e bebidas patrocinam a MicroMu, mas não os artistas individuais (para não macular a credibilidade de “independência” deles). Uma porcentagem do dinheiro do patrocínio é dividida entre os artistas de acordo com o número de downloads realizados no site.

“O momento em que você começa a cobrar pelo acesso à música na China é aquele em que você perde 99% de seu público”, diz Peto. “A música é um luxo para a classe média da China, um gosto frívolo. Nosso modelo combate esse fato. Nós utilizamos a mídia e a música grátis como uma forma de dizer que ‘todo mundo é bem-vindo’, chamando ao diálogo, criando uma comunidade, transformando-nos na marca confiável do movimento da música popular na China. Mas para isso, temos de atuar em todos os papéis: gravadora, comunidade online, produtora de eventos ao vivo, vendedores de artigos promocionais, produtora de televisão.”

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *