Comércio eletrônico, empreendedorismo e políticas públicas para o setor musical

No quinta-feira,  02 de junho, participei do seminário Comércio Eletrônico para Micro e Pequenas Empresas, realizado em quatro cidades pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico com apoio de diversos parceiros, dentre eles o SEBRAE. Foram muitas informações, a saber.

A Embratel trouxe a internet para o Brasil em 1994. Em 2011, dezessete anos depois, existem cerca de 77 milhões de internautas. Destes, cerca de 25 milhões têm o hábito de comprar produtos e serviços pela rede mundial de computadores. O ticket médio (valor médio das compras) é de R$ 397,00. Os intens mais vendidos são livros (32%), CDs/DVDs e pacotes de viagem (ambos com 18%).

O brasileiro passa, em média, 45 horas por mês conectado à internet. Isso dá uma média de 1h30′ de navegação diária. Rio de Janeiro e São Paulo abrigam 37% dos e-consumidores. A faixa etária predominante (48%) vai de 25 a 44 anos. As classes sociais A/B tem maioria, 61%, entre os consumidores. A classe C também vai às compras na internet, representando 35% das vendas. A classe D representa apenas 4%.

Os consumidores que não realizam compras pela internet apontam quatro principais motivos: 30% tem medo de fraude, 18% tem receio de comprar o produto e não receber, 16% apontam possíveis problemas com troca de mercadorias e 13% não sentem segurança no processo.

Notei a ausência, no seminário, de produtores musicais e de empresários artísticos. Esse fato aponta um problema crítico no mercado brasileiro de música: a ausência de estratégias realmente inovadoras no meio digital. Alguns empreendedores do setor se limitaram a copiar modelos importados de lojas ou distribuidoras de música digital. Outros se acomodaram em distribuir músicas gratuitamente, uma estratégia sem avalor agregado e sem perspectivas desafiadoras, como se fazer o upload de músicas, por si só, fosse suficiente para garantir o desenvolvimento de carreiras.

As inovações tecnológicas precisam de empreendedores que as transformem em oportunidades de negócios, capazes de gerar trabalho e renda para os atores de uma determinada cadeia produtiva. Se os empreendedores perdem a oportunidade, o desenvolvimento de toda a sociedade fica comprometido, porque a iniciativa privada não foi capaz de criar riqueza. É aqui, nesse momento, que entra o Estado para socorrer a cadeia produtiva com injeção de recursos públicos, de modo que ela possa se reerguer e voltar a andar com as próprias pernas. Essa é a lógica da intervenção do Estado em alguns setores da atividade econômica.

Um provérbio chinês ensina que se deve ensinar o homem a pescar, em vez de lhe dar o peixe. Mas do que um crescimento do PIB em ritmo chinês, o Brasil precisa se apropriar da sabedoria milenar chinesa. No setor musical, o Estado deve mudar o rumo de sua política pública assistencialista. Água demais também mata a planta. É preciso formar empreendedores, cada vez mais.

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