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Neilton Carvalho – músico, artista plástico, fabricante de amplificadores valvulados e empreendedor individual

22 setembro 2010

“Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”, definiu Fillion, conceituado estudioso do empreendedorismo. O termo visão se refere à capacidade de definir e alcançar objetivos. A diferença entre visão e sonho é que a visão é a forma realista e alcançável de um sonho.

Neilton Carvalho é um visionário, um verdadeiro empreendedor no ramo da música. Sempre foi autodidata, aprendeu o ofício desmontando e remontando amplificadores e guitarras. Sem saber, praticava uma técnica chamada engenharia reversa.

Neílton é guitarrista da banda Devotos, designer, artista plástico, fabricante e reparador de amplificadores valvulados e pedais. Recentemente tornou-se um Empreendedor Individual. Agora poderá comprar peças de grandes fornecedores além de emitir notas fiscais de venda de produtos e de prestação de serviços.

A seguir, ele comenta alguns temas pertinentes.

O que você acha da idéia de o músico ser dono do próprio negócio? Ter um CNPJ próprio, por exemplo.
Acho que, de uns dez anos para cá, o músico deixou ser apenas empregado, e tornou-se um gerenciador de seus negócios. Na minha opinião, pra facilitar boa parte das transações empresariais, um CNPJ é de grande importância para viabilizar as atividades em tempo hábil, além de tirar o profissional autônomo da informalidade.

O que o músico espera de um bom empresário ou produtor executivo?
Enxergar qual o melhor caminho para se chegar a bons resultados; saber fazer bons investimentos conjuntos, que sejam bons para os dois lados; resolver de uma forma aberta e ordeira os negócios; saber que tem que dividir os lucros e os prejuízos; e tentar encontrar alguma coisa que o identifique com o trabalho do artista.

O que significa ser músico independente?
É fazer três ou quatro funções ao mesmo tempo, senão o barco enche de água e não se tem mais forças para evitar o naufrágio. Em outras palavras, enxergar que depende dele, e só dele, para que as coisas andem, porque os outros são apenas parceiros de negócio, mas a carreira é o músico quem faz.

Como você percebe o momento do mercado da música no Brasil, e o mercado independente em particular?
Ainda é bem difícil a tarefa do dia-a-dia dos artistas independentes. O público em geral é muito moldado pela TV e por quem a manipula. Nem rádio a gente tem! Tem situações que impedem a evolução das coisas. Às vezes a banda tem que pagar pra tocar. É meio contraditório. Quando uma banda viaja para tocar, o cachê tem que cobrir os custos da banda e também dar para pagar as contas pessoais, então você se vê em uma situação complicada, porque o contratante mal quer pagar suas passagens! Todos lutam para que os festivais cresçam e os artistas apareçam, mas é preciso enxergar que os músicos têm que comer, pagar seus tributos e etc. Para os donos dos festivais parece que todos vivem numa festa eterna. Quem me dera!

Atividades econômicas do MEI Neilton Carvalho

Você consegue viver de música? Pagar as contas, ter plano de saúde e de previdência, poupar algum dinheiro?
Se for só como músico não conseguiria pagar todas as minhas contas não! Minha renda final depende das atividades que realizo além de tocar como guitarrista da banda Devotos. Como, por exemplo, designer gráfico para capas de CDs, DVDs e seus derivados, consertos de amplificadores valvulados, construção de amplificadores, caixas e pedais para guitarra e contrabaixo, e também artes plásticas. Mesmo com tantas atividades ao mesmo tempo as coisas apertam em alguns momentos.

Como você consegue viabilizar seus demais projetos artísticos (altovolts, pintura, desenhos)?
Tudo que aprendi foi porque não tinha dinheiro para pagar para outra pessoa fazer. Eu tenho uma vantagem, eu sei que um trabalho puxa o outro, foi assim que me estabeleci e me profissionalizei em várias coisas ao mesmo tempo. Tento administrar tudo e é bem difícil as vezes. Já aconteceu de eu ter que fazer uma exposição de mais de 20 telas enormes e ter que preparar o projeto gráfico do novo CD dos Devotos. Aí eu juntava o útil ao agradável, escolhia alguns dos quadros que estava pintando para ser umas das ilustrações da capa e encarte. Hoje tudo tem seu giro próprio. A Altovolts atende muitos músicos e gera seu próprio capital. A parte dos desenhos e projetos gráficos também, porém tem menos demanda, não tem uma constante. Agora no momento tenho três projetos gráficos na prancheta para finalizar até outubro. Tenho que me desdobrar em quatro!

Conheça mais:

www.devotos.com.br

www.altovolts.com

2 respostas Responda →
  1. marcelinho permalink
    setembro 22, 2010

    Grande entrevista léo . Neilton é um ser humano fantastico , batalhador , inteligente e honesto .
    Ta ai na luta diaria , em busca de uma melhoria , colocando em pratica o que aprendeu no curso . Isso é importante : nao só saber e aprender , mas colocar em pratica o aprendido para ir crescendo e aprimorando a maneira de trabalhar e fazer arte ( musica , quadros , encartes , etc ) .
    Parabéns aos 2

  2. Guga Cunha permalink
    março 6, 2011

    Primeiramente, assino embaixo e faço das palavras de Marcelinho minhas. Sou um grande admirador do Neílton pelo ser humano que é, seu caráter e postura.
    Como profissional é um exemplo para todos que tem um sonho, e sobretudo para aqueles que arregaçam as mangas! Fazer arte é sim uma grande tarefa, porém, viver(ou sobreviver) é a verdadeira missão, a qual Neílton abraçou, desenvolveu realizou à sua maneira. Dignidade, dedicação, e a eterna busca de “algo a mais” foram ingredientes que sempre trouxeram um aprimoramento de TODOS seus trabalhos desenvolvidos.
    Parabéns para todos, Leo pelo trabalho que vem desenvolvendo, Neílton por tudo, e ao Marcelinho que de longe participa como pode, e pessoalmente pelo carinho que nos recebeu em sua residência.

    Guga Cunha.

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