“Estude, porque música não dá camisa a ninguém”

Esse foi o conselho que Capiba ouviu do seu irmão para que não trocasse os estudos pela música.

Capiba começou a trabalhar com música em 1920, então com 16 anos de idade, no Cine Fox de Campina Grande/PB, como pianista de música de fundo dos filmes mudos. Em 1929 faturou 600 mil réis pelo primeiro lugar num concurso da revista carioca Vila Doméstica, com a música “Flor das Ingratas”. Por conta disso recebeu um convite para jantar com o Governador da Paraíba, João Suassuna, pai do futuro parceiro Ariano Suassuna.

Em 1930 passou no concurso para escriturário do Banco do Brasil, transferindo-se definitivamente para o Recife. Nunca abandonou o conselho do irmão, formando-se em Direito na Universidade Federal de Pernambuco.

Capiba foi um compositor versátil e talentoso. Tivesse morado no Rio de Janeiro, seria mais reconhecido e melhor remunerado pelo trabalho na música. Uma de suas canções, “Maria Bethânia”, gravada em 1944 por Nelson Gonçalves, tornou-se nacionalmente conhecida, dando nome inclusive à irmã de Caetano Veloso.

Ao completar 90 anos de idade, em 1994, Capiba desabafou sobre a dificuldade de viver de música em entrevista ao Jornal do Commercio, numa crítica velada ao sistema de trabalho do ECAD.

“… de centenas de gravações de minhas músicas, as canções fora do carnaval, as carnavalescas que são regravadas todos os anos, e tocadas intensamente, pelo menos aqui na região, o que eu recebo de direitos autorais não chega a um salário mínimo. Mas mesmo assim eu faria tudo novamente. Para mim a música é tudo.”

FONTE: Do Frevo ao Manguebeat (José Teles, Ed. 34)

2 comments

  1. Nádia Ferreira says:

    A profissão não é levada a sério em nosso país, daí surge a necessidade do músico seguir outra carreira, mas a música sempre o satisfará.

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